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Ansiedade e depressão durante a pandemia

É senso comum que, atualmente, muitas pessoas padecem de ansiedade e depressão, ainda mais durante a pandemia do Covid-19, quando as pessoas foram bruscamente retiradas de sua rotina e do convívio social. Além disso, a

É senso comum que, atualmente, muitas pessoas padecem de ansiedade e depressão, ainda mais durante a pandemia do Covid-19, quando as pessoas foram bruscamente retiradas de sua rotina e do convívio social. Além disso, a sobreposição do trabalho em home office com as tarefas domésticas, cuidado dos filhos e, por vezes, acompanhada de uma queda na renda, pode levar a sintomas de ansiedade e depressão nas pessoas que nunca apresentaram esse quadro antes, ou intensificar sintomas que já estavam presentes, mas que eram mais brandos. A Psicóloga e Doutora em Psicologia Andréia Mello de Almeida Schneider escreveu sobre o assunto no post de hoje.


Durante esse período de recolhimento as pessoas pensam “vou ler algum livro, vou organizar meus armários” como se fosse um tempo livre, mas na verdade não é um tempo livre, em termos psíquicos é um tempo ocupado com preocupações, com necessidade ou cobrança de produtividade, entre outras. Durante o isolamento fomos bruscamente retirados da nossa rotina e mudar essa rotina não é fácil, acaba interferindo na saúde mental das pessoas o que acaba levando as pessoas a buscar a compensação em alimentos mais ricos em açúcar e carboidratos e bebidas alcóolicas, por exemplo. 


Mesmo aquelas pessoas que nunca tiveram sintomas de ansiedade ou depressão antes, ao menos não ao ponto de necessitar ajuda psicológica, durante a pandemia acabaram se vendo muito assustados, preocupados, angustiados, o que pode ser normal, mas que se persiste por muito tempo e acarreta prejuízos na vida social, acadêmica ou profissional, deve-se buscar ajuda profissional.


É frequente que pessoas com sintomas de depressão tenham histórico de ansiedade. Viver tenso, vigilante… não é possível por muito tempo, por isso entende-se que a pessoa acaba apresentando sintomas de depressão. 


Mas o que é ansiedade?

Existem diversos tipos de Transtornos de Ansiedade (Pânico, Fobias, Separação, Social, etc.). Um dos sintomas da ansiedade é o medo enquanto resposta emocional a uma ameaça; pode envolver excitabilidade aumentada, pensamentos de perigo, comportamentos de fuga. Outros sintomas podem envolver tensão muscular, um estado de vigilância para se preparar para uma possível ameaça futura e comportamentos mais cautelosos. Esses sintomas podem se sobrepor, ou seja, a pessoa pode ter mais um deles ao mesmo tempo. Eles também se diferenciam do medo e da ansiedade que consideramos adaptativos, aquele nível de vigilância que é necessário para nos mantermos vivos e salvos dos perigos do dia a dia. Todos devem ter medo e ansiedade, mas apenas num dado nível que sirva de proteção a ameaças reais. Nos transtornos de ansiedade o perigo tende a ser superestimado. Mas todos esses sintomas devem ser avaliados por um psicólogo, não basta ir se identificando com um ou outro sintoma como se fosse um checklist. 


E o que é depressão?

Assim como a ansiedade, ao se falar em Transtornos Depressivos, temos diferentes tipos (ex.: depressivo maior, induzido por substâncias, desregulação do humor, distimia). A característica comum desses transtornos é o humor triste, por vezes acompanhado de alterações somáticas e cognitivas que afetam as relações sociais, o trabalho ou os estudos no dia a dia, a perda de prazer em tarefas que antes eram prazerosas, alterações no sono, culpa excessiva, sentimento de inutilidade e dificuldade de concentração, por exemplo. Esses são alguns dos sintomas que precisam ser avaliados pelo psicólogo.


Mas como saber se realmente estou ansioso ou deprimido?

Para o diagnóstico, não basta, conforme dito anteriormente, uma análise superficial acerca da lista de possíveis sintomas. Um psicólogo irá considerar o tempo em que os sintomas estão presentes, possíveis eventos desencadeadores, sempre levando em consideração aspectos como a história de vida da pessoa, o momento atual, a cultura na qual a pessoa está inserida, a etapa do desenvolvimento (crianças, adolescentes e adultos podem expressar os mesmos sintomas de modos muito diferentes), uso de medicações ou substâncias que possam alterar o estado emocional. 


Quem mais sofre?

Muitos transtornos de ansiedade iniciam na infância e tendem a se persistir ao longo da vida se não forem tratados. As mulheres tendem a sofrer mais que os homens.


Qual é o momento de buscar ajuda?

A situação atual de isolamento está trazendo sofrimento para todos, mas se esse sofrimento começa a afetar a alimentação (comer demais ou de menos), o sono (dormir demais ou de menos), desânimo excessivo, desesperança, cansaço excessivo, etc. e isso vem atrapalhando a vida acadêmica/escolar, o trabalho ou as relações com outras pessoas, então temos sinais de que é a hora de procurar ajuda. Primeiramente um psicólogo pode avaliar a necessidade de tratamento psicoterápico e, se necessário, uma avaliação psiquiátrica poderá ser solicitada.


O psicólogo é o profissional que pode estimar se o nível de medo, tristeza, se as alterações no humor e ansiedade estão excessivas, desproporcionais a real ameaça. É também o psicólogo quem pode avaliar se os sintomas fecham critério para diagnósticos de um Transtorno de Humor ou Transtorno de Ansiedade. O importante é a pessoa não ter receio quanto a estigmas e querer sentir-se melhor.


O que é a Avaliação Psicológica?

A Avaliação Psicológica é processo com início, meio e fim bem demarcados e estruturado de investigação de fenômenos psicológicos. Na área clínica, comumente é chamado de Psicodiagnóstico. É um processo composto de métodos, técnicas e instrumentos, com o objetivo de prover informações à tomada de decisão, ou seja, fornecer diretrizes para o melhor tratamento, com base em demandas, condições e finalidades específicas.


Como funciona o processo de Avaliação Psicológica?

Durante o processo de Avaliação Psicológica, além de entrevistas e observação, pode-se fazer uso de testes psicológicos e outras técnicas, conforme o caso. Após as entrevistas e aplicação de testes e técnicas, o psicólogo irá analisar os dados, interpretar e integrar os resultados, para então elaborar o documento pertinente e fornecer devolução dos resultados e o Laudo Psicológico com todos os encaminhamentos e orientações necessários para o bem-estar da pessoa.


Para quê serve?

No Atendimento clínico, um processo de Avaliação Psicológica/Psicodiagnóstico serve para ajudar a compreender o motivo de consulta (ex.: sintomas de ansiedade e depressão), assim como características de personalidade, com o propósito de verificar porque a pessoa está enfrentando dificuldades e que tipo de dificuldades seriam essas. O psicodiagnóstico pode ser feito no início de um tratamento psicoterápico, pelo próprio profissional que usará esta avaliação para planejar o atendimento clínico que se seguirá; por solicitação de outro profissional como, por exemplo, neurologistas, psiquiatras e fonoaudiólogos, a fim de dirimir alguma dúvida diagnóstica; ao longo de tratamento psicoterápico para verificar evolução do tratamento. O número de encontros para realização da Avaliação Psicológica varia de acordo com o objetivo que será discutido na primeira entrevista com a pessoa avaliada.


🡪 Qualquer outro esclarecimento que se faça necessário como, por exemplo, outras perguntas que desejam ser respondidas, posso responder.


Texto escrito pela Psicóloga e Doutora em Psicologia Andréia Mello de Almeida Schneider.

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