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Ressignificar a menstruação: eu preciso gostar de menstruar?

Hoje, falamos cada vez mais sobre ressignificar a menstruação. Porém, ao contrário do que muitas podem imaginar, ressignificar a menstruação passa longe de dizer que precisamos gostar de menstruar. Eu mesma, como educadora menstrual, não tenho

Hoje, falamos cada vez mais sobre ressignificar a menstruação. Porém, ao contrário do que muitas podem imaginar, ressignificar a menstruação passa longe de dizer que precisamos gostar de menstruar.


Eu mesma, como educadora menstrual, não tenho meu período menstrual como o preferido do mês. Ainda assim, se tem algo que melhorou muito a minha relação com a menstruação foi o conhecimento. Foi ele que me permitiu, inclusive, melhorar meus hábitos de autocuidado e não sofrer mais com sintomas de dor ou desconforto.


Por isso, questionar o olhar de “combate” em relação à menstruação traz benefícios práticos. Em vez de pensar “ah, de novo isso”, penso: “minha menstruação vai chegar em alguns dias, como posso dar mais atenção à minha saúde para fazer com que esses dias sejam bem tranquilos?”. Isso muda muita coisa!


Primeiramente, são séculos de construção da menstruação como algo sujo, impuro e nojento. Só que, hoje, não é mais tão comum lermos textos oficiais com essas palavras. Ainda assim, a crença geral, no subconsciente coletivo, ainda se mantém. Além disso, novos discursos de que a menstruação é um “mal desnecessário” ganharam força nas últimas décadas.

Ressignificar a menstruação

Bom, se focarmos apenas na saída de sangue do útero, parece um evento fisiológico trivial e sem muita função atual mesmo. Logo, opcional. Mas nessa lógica, se ignora totalmente a importância que ciclar têm para a saúde feminina.


Isso porque menstruar faz parte do ciclo, mas é só uma parte. Já a produção hormonal, que acontece ao ovularmos e menstruarmos ciclicamente, importa e muito.


Nossa produção natural de hormônios, principalmente estrogênio, progesterona e testosterona, é benéfica para nós. Seja para manter a saúde da nossa pele, do coração, do intestino, dos ossos, do cérebro e da tireoide… Além de proteger nossas mamas, por exemplo. Você já sabia disso?


Menstruar é só uma consequência inevitável desse ciclo tão valioso – quando não estamos grávidas.


Por causa disso, o ciclo menstrual é considerado um sinal vital. Pensa comigo: temos a sorte de ter um indicador potente que se torna o primeiro “alarme” quando algo no nosso organismo não vai bem ou está em desequilíbrio. Quantas já não tiveram ciclos mais longos ou ausência de menstruação em um momento de grande estresse, mudança de rotina, ou quando fez uma dieta restritiva? Pois é!


Entender o que o ciclo menstrual representa e o valor disso não implica em gostar de menstruar. Muito menos em ser obrigada a manter os ciclos naturais. Afinal, sabemos que muitas mulheres sofrem com sintomas ou doenças que não responderam bem a outras alternativas – abrindo a necessidade de interromper os ciclos para ter melhor qualidade de vida. E eu pelo menos acredito que qualidade de vida deve ser prioridade sempre!


Mas, ao mesmo tempo, precisamos normatizar a ideia de que ciclar não interessa só aquelas que estão buscando engravidar. Ciclar também pode ser uma opção válida de bem estar, saúde e… qualidade de vida! Isso em todos os momentos da nossa idade fértil, mesmo sem intenção de engravidar.


Valorizar os nossos ciclos é possibilitar maior autonomia para fazermos nossas próprias decisões. ♡


Com carinho, Vic.




@sow.gn é uma curadoria de Mari Weckerle, a @gurianatureba.

[email protected]

Educadora menstrual, empreendedora social cofundadora da Escola da Menstruação e bióloga e professora de formação. Também é criadora da Diga Vulva, onde escreve e cria conteúdo sobre saúde, ciclos femininos e sexualidade. Acredita no poder do autoconhecimento e na visão positiva do corpo feminino. | @digavulva

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