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Vulva e o acesso ao prazer feminino

Como vocês, mulheres, cis ou trans, chamam o seu genital? Vagina, buceta, pepeca, perereca, xota, xoxota, xereca, xana, priquita, tcheca, etc, etc, etc. Muitas não sabem, mas a nomenclatura correta é "vulva". A vulva é tudo que

Como vocês, mulheres, cis ou trans, chamam o seu genital?


Vagina, buceta, pepeca, perereca, xota, xoxota, xereca, xana, priquita, tcheca, etc, etc, etc.


Muitas não sabem, mas a nomenclatura correta é “vulva”. A vulva é tudo que a gente vê, é a parte externa. Inclui a abertura da vagina, os lábios externos, os lábios internos e o clitóris. Vagina é a parte interna, do canal.


Mas por que a gente aprendeu a chamar assim? Por que pouco se fala sobre a vulva, que é onde se encontra a nossa principal fonte de prazer, o clitóris?


Lembro de ter algumas aulas sobre o assunto no colégio. Mas também lembro de nunca ter ouvido falar do clitóris.


Uma informação relevante e importante: pouco mais de 15% das mulheres sentem prazer com penetração. Então por que focar tanto no canal vaginal? Por que não somos ensinadas desde cedo da forma correta? Por que nos é dificultado o acesso ao prazer? Por que a maioria de nós teve que descobrir isso sozinhas? Eu tenho uma das respostas: porque infelizmente a gente ainda vê o sexo com a visão e script falocêntrico. O pau como centro da relação (e do universo). Tanto que muitas pessoas nem acham que sexo oral é sexo.


Pessoas com vulva que não transam com penetração seriam virgens então?


Outra problemática é que boa parte das pessoas, independente do gênero, aprende o que é sexo através da pornografia. Aprende a fazer sexo vendo pornô. Modo britadeira ativado. Homens com corpos musculosos, pelo menos 18 centímetros e pau durência infinita. Mulheres com corpos cirurgicamente modificados, vulvas rosadas e pequenas, jorrando litros e litros e gemendo alto, muito alto.


Eu gosto de trazer questões pessoais pros meus textos (e acabo me expondo muito por isso, mas azar), então lá vai: por muito tempo eu achei que eu era defeituosa. Primeiro, porque minha vulva não é parecida com a que a pornografia me apresentou (e infelizmente não tínhamos muito acesso a esse tipo de conteúdo de forma educativa e diversa). Segundo, porque tive o azar de começar a minha vida sexual com um cara que não gostava de fazer oral. Tudo bem não gostar. Mas confesso que isso mexeu muito com a minha autoestima “vulvolística”. Fui começar a achar a minha normal e bonita depois dos 30 anos. Pasmem! Anos me odiando e achando que eu tinha algum problema. Isso que sou branca. Conversando com mulheres negras descobri que a situação é muito mais complicada.


“Mas Laís, como que tu começou a gostar da tua vulva?”


Muito autoconhecimento e descobrindo que ela era maravilhosa por todo prazer que pode me proporcionar. E também aprendi que, naturalmente, nenhum corpo é igual a outro. E que vulvas podem ser tão diversas quanto qualquer outra parte do nosso corpo. Não existe nenhuma vulva igual a tua no mundo, sabia? É comprovado. A cor, a forma, a textura, o tamanho, tudo só teu. Olha que lindo isso! Exclusividade que chama, bebê!


Esse texto é uma provocação. Admito. Mas é pra ser uma provocação boa! Se conheçam. Se toquem. Se explorem. Se vejam. E, principalmente, celebrem essa diversidade linda de todos os corpos.

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Arquiteta e urbanista por formação. Criadora e administradora do instagram @me_lambelambe, que trata sobre temas como sexualidade, empoderamento feminino e sexo sem tabu. Sócia e designer da Tela Preta, primeira plataforma de áudios eróticos do Brasil. | @laisconter

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