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É possível pular um Carnaval Sustentável

Você acha que é possível ser sustentável mesmo no Carnaval? A equipe da Viva Purpurina Biodegradável escreveu um texto bem legal sobre o assunto para o site. [gallery columns="2" size="full" type="none" ids="4252,4254"]   A “sustentabilidade” é um conceito

Você acha que é possível ser sustentável mesmo no Carnaval? A equipe da Viva Purpurina Biodegradável escreveu um texto bem legal sobre o assunto para o site.


 
A “sustentabilidade” é um conceito relacionado, principalmente, a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais das sociedades humanas. É um dos termos mais difundidos hoje, tanto no mercado e como em nosso dia-a-dia, mas poucas vezes temos a oportunidade de refletir sobre ele.
Se pensarmos, por exemplo, nos Objetivos Para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU), entendemos que o conceito de “sustentabilidade” é indissociável de outros paradigmas fundamentais, como a erradicação da pobreza, a redução das desigualdades, a educação de qualidade e a igualdade de gênero. E, por esse caminho podemos, inclusive, lembrar do historiador e filósofo indígena Airton Krenak, que nos alerta que a “vida sustentável é uma vaidade pessoal”.

A grande questão por trás da sustentabilidade é que atitudes pessoais ajudam pouco se não desconstruímos e mudamos certas estruturas. Isso quer dizer que devemos abandonar todos aqueles hábitos que, até agora, julgamos sustentáveis em nosso cotidiano? É claro que não! Mas é preciso estarmos sempre atentos [e fortes!] para não esquecermos disso. 
O carnaval no Brasil é coisa séria: além de ser uma das mais bonitas festividades de rua, ele significa a ocupação e reivindicação dos espaços públicos e expressa a riqueza cultural presente em território brasileiro. Da origem católica às contribuições gigantescas feitas pelas religiões de matriz africana, o carnaval é um dos momentos mais esperados do ano por quase todos brasileiros(as) e por muitos turistas que chegam de diversos lugares do mundo. No carnaval celebra-se a cultura e a alegria, mas também a arte, a música e o direito de todos a entrar na brincadeira. Mas, é possível aproveitar do carnaval de forma sustentável? 
 
Provavelmente, não. Mas há, sem dúvida, diversas atitudes que cada um de nós pode tomar para ser mais amigável com o ambiente e algumas, inclusive, podem – de pouco a pouco – ajudar a desmontar certas estruturas. Vamos lá: 

  1. Sempre que possível, prefira bebidas em lata. Segundo o IBGE, o alumínio é um dos materiais com maior porcentagem de reciclagem efetiva do país (superando os 90%). O descarte correto desse material ainda pode ajudar diversos recicladores(as) que estão trabalhando durante e após a folia. E lembre-se: se não for tomar direto na latinha, leve seu copo reutilizável para a festa! 
  2. Cuide do seu lixo. Segure-o até encontrar uma lixeira ou consulte os ambulantes sobre a possibilidade de usar as sacolas de lixo carregadas por eles nos carrinhos.   
  3. Opte por usar purpurina biodegradável. As purpurinas convencionais são microplásticos, ou seja, pequenos fragmentos plásticos (com menos de 5 milímetros), que já são considerados um dos poluentes mais frequentes no ambiente costeiro e marinho. Depois de sair dos nossos carnavalescos corpos, a purpurina convencional chega aos ecossistemas aquáticos uma vez que, devido ao seu tamanho, não é filtrada pela rede de tratamento de água (e nem todas cidades possuem redes de tratamento!). De maneira geral, os riscos à saúde relativos à poluição gerada pelo microplástico se dá pela capacidade que essas partículas têm de absorver produtos tóxicos encontrados na água (como agrotóxicos e metais pesados), gerando uma contaminação crescente ao longo dos diferentes níveis da cadeia alimentar [desde os microrganismos, até grandes baleias e nós mesmos!]
  4. Reuse fantasias de amigos ou customize as suas com retalhos e objetos que já possui. Não tem tempo ou acha que não tem muito talento para isso? Busque por iniciativas na sua cidade de marcas que façam fantasias artesanalmente. Evite grandes lojas que importam produtos sem saber a origem e a forma como foi produzida. Importante lembrar: etnia não é fantasia! Respeite as tradições e a identidade das comunidades e povos tradicionais!

 

Acreditar em um mundo sustentável não implica apenas em alternativas conscientes de consumo. Implica, também, em lutar por um mundo mais justo e equitativo, onde todas as formas de viver tenham o direito e o espaço de existir. Cada vez que nós [aqueles(as) que têm o privilégio de optar] optamos por alternativas locais, artesanais e conscientes, devemos entender que estamos também optando por um outro mundo possível. 
Um bonito e alegre carnaval para [email protected] nós!
Respeita as mina! Não é Não!
Bora colorir sem poluir!
 
Texto escrito pela equipe da Viva Purpurina Biodegradável.
 
Para saber mais: https://nacoesunidas.org/pos2015/
Porque vale a leitura: https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/vida-sustentavel-e-vaidade-pessoal-diz-ailton-krenak/
Mais informações em: https://marinedebris.noaa.gov/sites/default/files/publications-files/TM_NOS-ORR_30.pdf
Pesquisas relacionadas: Zarfl, C.; Matthies, M. 2010. Are marine plastic particles transport vectors for organic pollutants to the Arctic? Marine Pollution Bulletin 60: 1810–1814. / Germano et al. 2018. Microplastics: No Small Problem for Filter-Feeding Megafauna. Trends in Ecology & Evolution, 33(4):227–232./ Nelms et al. 2018. Investigating microplastic trophic transfer in marine top predators. Environmental Pollution, 238: 999e1007.

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Mari Weckerle é arquiteta, gaúcha e especialista em gastronomia saudável! É a Criadora da Plataforma Digital Guria Natureba e curadora da SOW!

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