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Libido não é só sobre testosterona

Baixa libido é uma situação que atinge muitas mulheres. E muita gente acredita que libido se trata apenas de questões hormonais, ou mais especificamente, da testosterona. A testosterona, assim como o estradiol e a progesterona -

Baixa libido é uma situação que atinge muitas mulheres. E muita gente acredita que libido se trata apenas de questões hormonais, ou mais especificamente, da testosterona.

A testosterona, assim como o estradiol e a progesterona – os dois principais hormônios femininos, é um hormônio sexual produzido a partir do colesterol. Ela participa também de várias funções no corpo, e tem um papel importante no anabolismo – um processo do nosso metabolismo de pegar nossa energia e moléculas simples para transformar em outras mais complexas.

Ou seja: ajudar a construir massa muscular, massa óssea, pelos e tudo mais. E claro, como você provavelmente já sabe ou ouviu falar: a testosterona está ligada ao comportamento, ao bem estar e ao desejo sexual.

De forma espontânea, ela está mais presente em pessoas do sexo masculino – e que possuam ao menos um testículo em atividade, já que ela é produzida especialmente lá.

Mas a testosterona também é produzida nos ovários e em glândulas adrenais (que ficam em cima dos rins!). E, apesar de nós, mulheres, produzirmos em menor quantidade e ela circular no nosso corpo em menor quantidade na comparação com os homens, nós também temos maior sensibilidade a ela – logo, ela consegue cumprir suas atividades super bem, já que um pouco de testosterona já faz tudo que precisamos.

Sim, ela é importante para o desejo e para o impulso sexual!

Mas não, ela definitivamente não é a única questão envolvida na libido feminina.

Limitar a libido e o desejo sexual à presença de testosterona é:

1) colocar os bilhões de corpos diferentes que temos no mundo no mesmo “balaio” de necessidades e desejos, sem considerar nuances, individualidades e fatores coletivos;

2) chegar à conclusão equivocada de que “homens têm mais desejo sexual que mulheres”, ignorando que não é uma questão de quantidade de desejo, mas sim uma diferença de como ele costuma se expressar apenas, de forma espontânea ou responsiva (considerando estatística de população geral).

3) achar que uma mulher estressada, sobrecarregada, que transa sem vontade alguma só pra “cumprir seu papel de namorada/esposa” (e que matou a própria libido assim), que não sente prazer, que finge orgasmo, que não se sente desejada, que não se alimenta de erotismo vai necessariamente esquecer de tudo isso apenas… tomando um shot de testosterona. E a mágica acontece: toda a libido volta! Será?

Níveis baixos de testosterona podem diminuir a libido e o interesse pelas coisas? Com certeza! Mas não podemos nunca esquecer que libido é multifatorial. Libido está relacionada a muitos fatores da nossa vida.

Não temos como separar e isolar totalmente a ação hormonal da nossa cultura. 

Existe uma construção cultural no “ser homem” que exige essa disponibilidade sexual permanente, uma impossibilidade de dizer “não” para o sexo. Inclusive, é possível que você já tenha se sentido mal ou achado que tem algo de errado consigo quando um cara não tava muito a fim de sexo, né? 

É uma cultura mais forte que nós. Mas sim, é importante lembrar que pessoas em geral se estressam, vivem momentos difíceis, se alimentam mal (e isso afeta a produção de todos os hormônios), e muitas vezes… não estão a fim de transar. E muitas mulheres, por não se conhecerem bem, não entenderem o que gostam ou por estarem tendo uma vida sexual insatisfatória, podem ficar com preguiça e com “baixa libido” por isso, sabe?

Por isso, se voce não está feliz com a sua situação atual de libido, que tal melhorar sua qualidade de vida no geral, ter mais tempo para voce, pensar mais em sexo, investir no seu autoprazer, se alimentar bem, fazer atividade física, aproveitar os pequenos prazeres da vida, conversar com uma terapeuta sexual… Isso já costuma ajudar bem mais!

Como é a sua relação com a sua libido?

O @sow.gn é uma curadoria da Mari Weckerle, a @gurianatureba.

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Educadora menstrual, empreendedora social cofundadora da Escola da Menstruação e bióloga e professora de formação. Também é criadora da Diga Vulva, onde escreve e cria conteúdo sobre saúde, ciclos femininos e sexualidade. Acredita no poder do autoconhecimento e na visão positiva do corpo feminino. | @digavulva

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